A rua não estava excessivamente movimentada como de costume, algumas pessoas andavam em direção a praia, pois também com um sol daqueles realmente deveriam ir à praia, as nuvens brancas e engomadas estava por todo céu, mas sem que bloqueassem o sol. Eu pronto para o trabalho, esperava carona me escondendo em uma sombra formada pela silhueta de um poste com a de um muro de uns dos edifícios que ficavam na esquina onde me encontrará. Passados alguns minutos vinha caminhando pela calçada um senhor de baixa estatura, de bochechas rosadas, cabelos grisalhos uma barba e bigode, óculos de grau e camisa social. Vinha caminhando tranquilamente com as mãos nos bolso, ao se aproximar de mim foi andando mais devagar e aos poucos foi parando na mesma sombra que eu, suspirou e disse repentinamente em um tom sério, mas com um sorriso bonachão na cara que fazia seu bigode subir a sua bochecha:
-É acho que teremos que dividir não só está esquina, mas também esta sombra.
Pego de supresa por tal iniciativa, respondi da mesma forma simpática:
-Fica a vontade, tem bastante sombra.
O silêncio novamente voltou, mas por poucos instantes, ele estava visivelmente inquieto balançando-se para frente e para trás enquanto eu observava os carros passarem para não perder minha carona.
-Engraçado né? Disse ele dando uma longa pausa e retendo minha atenção novamente – Estamos sempre esperando, esperamos nos formar, quando formamos esperamos trabalhar, quando trabalhamos esperamos ter tudo aquilo que queremos e quando temos esperamos ter mais. Este é o nosso erro. Completou fazendo um curto silêncio enquanto eu prestava atenção e acenava positivamente com a cabeça.
-Nós não aproveitamos as coisas pela quais esperamos, por exemplo aqui, agora, nesta esquina e nesta sombra, estamos tão preocupados em conseguir nossas caronas que não aproveitamos esse curto espaço de tempo para ver como o céu está bonito ou como esses carros passando parece mais uma dança, se observados com atenção. Neste momento ele tirou as mãos do bolso e apontava para o céu e para os carros e dizia com a mesma simpatia quando havia começado a falar.
-é verdade, a maioria das pessoas precisam que apontemos para os locais para que enxerguemos o que estava bem ali, a nossos olhos. Não é mesmo?
-Exato! Respondeu ele enquanto levantava as sobrancelhas com um certo espanto, acho que não esperava que estivesse sendo ouvido.
O silêncio novamente tomou conta, ambos olhava o que as nuvens formava, ele olhou para seu relógio dourado enquanto sacudia o braço, ao mesmo tempo em que minha carona estacionava na calçada, acenei com a cabeça com se estivesse me despedindo, ele respondeu cordialmente e voltou a por as mãos nos bolsos se sacudindo mais uma vez, e continuou até que não pudesse mais vê-lo.
Ai meu padawan…
bacana o conto, nada nada imaginei uma esquina em vix, na avenida que divide jd da penha e mata da praia, prómimo a praia de camburi! ah que saudades!
abraço manin
Muito bom biel.
Rápido, simples e significativo.
entrou para meu “blogroll”
=]
alias .. ainda pensa em escrever o livro com o incentivo financiero do governo?
isso me lembra as horas de nada na graminha da ufes. que saudade!